
Capítulo 3
“Você realmente precisa me ensinar como cuidar do meu cabelo,” Elizabeth disse, se inspecionando no espelho do carro. “Eu o usaria mais vezes solto se eu conseguisse fazer com que ficasse assim.”
Jane tornou seu projeto pessoal fazer com que Elizabeth ficasse glamourosa, com resultados que impressionaram até mesmo a própria Elizabeth. Jane sempre conseguia maravilhas com a juba de cabelos naturalmente cacheados de Elizabeth, produzindo uma abundância de cachos macios ao invés da massa arrepiada que parecia ser tudo o que Elizabeth conseguia fazer.
“Vou ficar feliz de te ensinar—já me ofereci várias vezes,” Jane disse. “Adoraria que você mostrasse mais o quanto você é bonita.”
“Quem me notaria com você por perto?” Elizabeth disse com um sorriso afetuoso. Jane parecia angelical, como sempre, num vestido azul claro de tiras, que mostrava seu corpo delgado e seus braços e ombros levemente queimados do sol. O cabelo dela, loiro e na altura do queixo, era macio e brilhava, caindo gentilmente pelo rosto dela, cada mecha caindo perfeitamente no lugar.
“Lizzy, não diga isso! Você está linda! Estou muito feliz por termos encontrado esse vestido—ficou perfeito em você.”
Elizabeth alisou seu vestido, a bainha na altura dos joelhos, numa linda cor champagne. O corte dele enfatizava a silhueta dela sem ser muito justo ou revelando demais. Normalmente, ela não dava muita importância para a própria aparência, mas hoje à noite ela sabia que ela não estava linda, o que era apenas um amável exagero de Jane, mas ela certamente estava bonita.
Sim, mas por quê você está preocupada com sua aparência hoje à noite? Esperando impressionar um certo pianista?
Claro que não. Quem se importa com o que aquele javali insuportável pensa? Eu só quero causar uma boa impressão aos futuros parentes de Jane. Parece que ela precisará de toda ajuda possível.’
“Me diga quem está na sua lista de convidados,” Elizabeth disse. “Especialmente da família de Charles.”
“O Sr. e a Sra. Bingley estarão lá, para começar. E tem a irmã de Charles, Caroline.”
“Mais nova ou mais velha?”
“Ela é cerca de dois anos mais velha do que Charles. A outra irmã dele, Louisa, e o marido dela também estarão lá.”
“Como são as irmãs dele?”
“Eu ainda não conheço Louisa, e Charles não fala muito sobre ela; não acho que eles sejam próximos. Mas Caroline se interessou de verdade por mim, em me conhecer. Ela é bem envolvida com os negócios da família—parece importar-se com eles muito mais do que Charles.”
“Então, os dois trabalham para o pai dele?”
“Sim, na filial de São Francisco.”
Um farol ficou amarelo. Elizabeth teria tentado passar no farol antes dele ficar vermelho se ela estivesse dirigindo, mas Jane diminuiu o carro lentamente, de forma delicada e cuidadosa. Um carro à esquerda passou voando pela intersecção logo que o farol ficou vermelho, sendo acompanhado por nervosas buzinadas.
“Há algo mais que Charles gostaria de estar fazendo?” Elizabeth perguntou, alisando seu vestido novamente.
“Ele queria ter sido músico profissional.”
“É mesmo! Você disse que ia explicar sobre Charles e a Juilliard.”
“Charles ama a música, e tem muito talento. Mas o pai dele sempre desaprovou que ele estivesse ‘perdendo seu tempo’—estas são as palavras do Sr. Bingley, não minhas—com música’.”
“Mas mesmo assim ele deixou Charles ir para a Juilliard. Isso não faz sentido.”
Jane assentiu. “O Sr. Bingley se recusou a pagar por ela. Mas Charles tem um pequeno fundo de reserva que ganhou dos avós, então ele teria o dinheiro, desde que os pais aprovassem. O Sr. Bingley finalmente concordou em deixá-lo ir. Ele disse que esperava que Charles falhasse, que isso lhe ensinaria uma lição.”
“Que gracinha!” Elizabeth chacoalhou a cabeça, enojada. “Então, foi por isso que Charles saiu da Juilliard—ele estava indo mal?”
“Não, Charles estava indo bem. Mas depois de dois anos, o Sr. Bingley mudou de idéia. Então Charles voltou para Los Angeles e formou-se em Administração.”
“Pobre Charles. Bem, ao menos ele tem o conjunto de jazz, então ele tem música na vida dele.”
Jane sorriu. “Ele ama o grupo de jazz. A maior parte dos rapazes estarão no ensaio, incluindo o que ajudou a arrumar a sua entrevista de emprego na segunda-feira.”
“Ele também vai me acompanhar no casamento, não vai?”
Jane assentiu. “O nome dele é Bill Collins.”
“Apelido de William?”
“Sim.”
“De repente estou cercada de Williams por todos os lados! Espero não confundí-los.”
Jane explodiu numa risada. “Ah, Lizzy, espere até você ver Bill! Você não tem motivo nenhum para se preocupar nesse sentido.”
“Então, você está me dizendo que não haverão dois homens altos, morenos e lindos me perseguindo, agindo soberbamente, a noite toda?” Elizabeth fingiu um beicinho.
“Definivamente, não,” Jane riu. “Falando nisso, devo prevenir você que Bill pode parecer meio estranho às vezes. Nem sempre ele causa uma primeira boa impressão. Mas ele têm sido muito amável e solícito, então por favor, dê a ele o benefício da dúvida.”
“Serei boazinha com ele. Devo-lhe um muito obrigada por ter me arranjado a entrevista.”
“E, Lizzy, falando sobre ser boazinha…”
Elizabeth rolou os olhos. “Serei educada com William, eu prometo.”
“Eu sei que você está chateada com as coisas que ele falou. Mas ele não sabia que você estava escutando.”
“E isso faz com que tudo fique bem?” Elizabeth fungou.
“Claro que não. Mas eu acho que eu e Charles somos parcialmente culpados. Pensamos que vocês realmente fossem se dar bem, então decidimos dar uma de cupido. Aposto que isso fez com que William se sentisse mal. Charles havia me avisado de que William não gosta de discutir sua vida pessoal.”
“Por quê William Darcy, entre todas as pessoas do mundo, precisaria de um cupido?” Elizabeth olhava fixamente para Jane, não acreditando no que ouvia. “Ele pode ter a mulher que quiser. Aposto que ele tem que botá-las para correr.”
“Você acha isso. Mas Charles diz que William é muito solitário, embora ele não admita. Aparentemente, ele é muito tímido.”
“William Darcy, tímido? Ele certamente não se mostou nada tímido quando falou mal de nós duas. É mais provável que ele pense que nenhuma mulher é boa o suficiente para ele. Nós, pessoas comuns, não somos do ‘nível social’ dele—muito menos uma ‘uma garota que tem um sub-emprego’ como eu, que apenas ‘berra músicas em um show.’ ”
“Eu me pergunto: será que ele percebeu que você ouviu o que ele disse? Se sim, tenho certeza de que ele está com vergonha. Pobre William.”
“Oh, eu duvido que qualquer coisa que eu disse tenha tido o mínimo impacto no grande William Darcy.”
“Sabe, Lizzy, ele é um homem, não um ícone. Eu acho que você está tão acostumada a pensar nele como—bem, como você mesma disse, ‘o grande William Darcy’—que você esquece que ele tem sentimentos e inseguranças, como qualquer outra pessoa.”
“O que eu acho é que provavelmente ele tem o ego do tamanho do Oceano Pacífico.”
“Mas você não consegue ver como uma pessoa importante como William estaria acostumado a ser constantemente adulada e admirada? Eu consigo ver como ele deve ter desenvolvido um certo orgulho por si mesmo conforme o tempo passou.”
“Orgulho é uma coisa. Arrogância é outra.”
“Bem, eu queria que você desse a ele uma outra chance. Charles gosta muito dele, então creio que ele deva ter muitas boas qualidades.”
“Desculpe, Jane. Ele é presunçoso e convencido, e você sabe o quanto isso me incomoda. Além disso, ele já deixou bem claro que ele não acha que eu seja digna da atenção dele. Mas eu serei boazinha com ele, por sua causa. Não quero te ver no altar preocupada com que a sua dama de honra quebre o nariz do padrinho do noivo, com um gancho de direita bem dado.”
Jane sorriu frente à escolha de palavras de Elizabeth. “E você não vai cutucá-lo verbalmente também? Não importa o que aconteça?”
“Vou manter minha rapidez e esperteza só para mim nesse fim-de-semana, não importa o quanto eu tenha que morder minha própria língua.”
Não ia ser nada fácil. Elizabeth sabia que não tinha a paciência de Jane, assim como não tinha o coração cheio de compaixão dela. Assim mesmo, seja lá o que ela pensasse de alguém, ela lutava para ser educada em público. O senso dela do absurdo normalmente a ajudava a rir dos insultos e sorrir nas situações mais inusitadas. Mas William estava provando ser uma exceção à tudo isso.
Ela havia oferecido a Jane uma explicação parcial—pessoas arrogantes a irritavam, e ela gostava de aproveitar as oportunidades de acabar com os egos super inchados dessas pessoas—mas a reação dela com relação à William foi muito mais profunda do que isso. Talvez Jane estivesse certa, e ela estava desiludida por descobrir que seu ídolo era um ser humano, cheio de falhas. Ou a rejeição dele simplesmente machucou os sentimentos dela? Elizabeth não conseguia atinar suas emoções todas misturadas, mas ela fez um voto silencioso, jurando esquecer seu ressentimento.
Jane diminuiu a velocidade do carro em frente a um prédio de tijolinhos, a
fachada dele tinha uma enorme janela. “Esta é a igreja,” ela disse. Ela
continuou, parando numa garagem próxima. Assim que as irmãs
saíram da garagem, Elizabeth notou uma brilhante BMW Z3 vermelha
estacionada perto da saída. Duas no mesmo dia. Estranho.
“Onde ela está?” Charles perguntou, checando seu relógio de pulso pela décima vez em poucos minutos. Ele andava de uma lado para o outro na frente da igreja, pequenas gotículas de suor se formando em sua testa.
“Charles, são seis e vinte. O ensaio não começa antes das seis e meia. Jane estará aqui a tempo. Sente-se antes que você faça um buraco no chão.” William estava começando a achar suas funções como padrinho do noivo mais complicadas do que ele havia antecipado.
Charles sentou-se do lado de William e começou a batucar com os dedos nas costas do banco de igreja em frente a eles. “Mas eu pensei que Jane já estaria aqui agora.”
“Esta é, provavelmente, a primeira vez em que você chega na hora para alguma coisa—você está acostumado a ser o último a chegar, é isso.”
Charles checou seu relógio novamente. “Para onde foi o pastor? Ele estava aqui há um minuto atrás.”
William teve que parar de rolar os próprios olhos. “O pastor está em seu escritório. Ele estará pronto assim que todos estejam aqui.”
Charles parou de andar de um lado para o outro. William decidiu que eles precisavam de
uma distração. Talvez a atmosfera apressada de dentro da igreja
tornasse tudo pior.
“Vamos esperar por Jane do lado de fora,” William sugeriu. “Assim, você a verá assim que ela chegar aqui.”
“Mas, e se ela entrar por outro lado? Nós não a veremos.”
Paciência, William admoestou-se, passando a mão pelo cabelo. “Tudo bem, então, eu vou lá fora e fico de vigia, e você fica aqui.”
“Ok, bom. Não, espera. Talvez eu deva ficar lá fora.”
“Tudo bem. Então vá, e eu fico aqui. O ar fresco vai te fazer bem.”
“Sim. Ok, então eu estarei do lado de fora se você precisar de alguma coisa.”
Com um sorriso pesaroso, William assistiu a Charles correndo pelo corredor central da igreja e para fora dela. Bem, há uma vantagem em ser solteiro—não existe o stress induzido pelo casamento. Mas ele não conseguia se imaginar em pânico nas vésperas de seu próprio casamento, não se ele estivesse casando-se com a mulher certa.
A mulher certa. William acreditava que existia um par perfeito para ele, em algum lugar do mundo: sua companheira, sua outra metade, até mesmo sua alma gêmea, apesar do termo soar bem tolo. A idéia dela—seja lá quem ela fosse—recentemente havia assumido uma significância quase que mítica. Talvez, fazer 30 anos no ano passado tivesse enfatizado a passagem do tempo, fazendo-o perguntar-se quando, se é que realmente aconteceria, que ela ia aparecer.
Nesse meio tempo, ele teve amplas oportunidades de desfrutar da companhia feminina, quando ele queria a companhia delas. O status dele como um respeitado concertista, a riqueza da família dele, e sua boa aparência, gerava o que seu primo Richard chamava de, meio brincando, meio sério, “O Campo Magnético William Darcy.” Ele era contra a provocação incessante de Richard, mas, na maior parte de seus compromissos sociais, ele atraía muitas mulheres disponíveis, e mais algumas que não consideravam disponibilidade um assunto importante para ele.
A habilidade de William de exercer seu poder de atração com as mulheres era o que deixava seu primo mais maluco, porque não era algo que ele fazia conscientemente. Ele não tentava ser charmoso ou acessível; ao contrário, ele era reservado e usava isso como um escudo, esperando evitar a atenção que ele não queria. Richard uma vez resmungou, “Will, você me deixa louco da vida. Você nem mesmo finge se interessar, e isso só faz com que elas corram ainda mais atrás de você, pra te fisgar.”
O problema é que eu não quero ser pego. Pelo menos, não dessa maneira. Diferente de Richard, que adorava bancar o playboy de Nova York, William se sentia estranho e deslocado nessas situações. Ele nunca foi bom em conversa fiada ou em travar conhecimento com estranhos, e ele estava cansado de flertes sem sentido.
Durante os últimos anos de adolescência de William até seus vinte e poucos anos, sob a influência do exemplo de Richard, ele havia aceito algumas vezes uma ou outra das muitas ofertas que ele recebeu de gratificação física sem laços afetivos. Ele havia sido suficientemente ingênuo, naquele tempo, para permitir que essa atenção gratificasse seu ego, e as atividades haviam ajudado a sua jovem libido ainda sob controle. Mas ele rapidamente desnvolveu um desgosto absoluto por tais tipos de encontro. Ele também desenvolveu grande desgosto por mulheres que o perseguiam por razões superficiais, mais interessadas no dinheiro dele do que no caráter. Ele adotou, gradualmente, uma atitude cínica com relação às suas admiradoras femininas, e uma abordagem muito mais cuidadosa e observadora quanto à sua vida pessoal.
Com o tempo, a vida social dele começou a seguir um padrão previsível. Ele identificava uma mulher do círculo social dele, a qual ele levaria para os eventos de caridade que ele era obrigado a ir, junto com jantares e concertos periódicos—e, ocasionalmente, um café-da-manhã na manhã seguinte. Ele fazia o possível para garantir que a mulher buscasse o mesmo tipo de relação que ele, sem expectativas ou algo mais. Era uma maneira prática de conduzir sua vida social, e isso o protegia das muitas mulheres determinadas a capturar o título de Sra. William Darcy, e exibí-lo como uma medalha Olímpica.
Mas esses acordos não fizeram nada para apaziguar a solidão dele. Ele queria alguém, que pudesse amá-lo pelo que ele era, alguém com quem ele poderia dividir os seus mais profundos pensamentos e medos, alguém que ele poderia confiar que estaria sempre do lado dele. Ele queria ela—mas ele não tinha a mínima idéia de onde, ou mesmo como, encontrá-la.
A profissão dele aumentava o isolamento. Quanto mais bem-sucedido ele era, mais tempo ele passava viajando pelo mundo, sozinho. Até agora, ele não havia percebido que, há meses—em verdade, há mais de um ano—que ele não tinha um relacionamento com uma mulher. E já faz muito tempo que eu não…—oh, meu Deus, estou numa igreja. Se eu não tomar cuidado, vou ser atingido por um raio.
As portas da igreja se abriram, e Jane entrou no prédio, acompanhada por um triunfante, mas ainda impaciente, Charles.
“Olá, William,” ela disse, com um sorriso acolhedor. “Acho que você esteve bem ocupado, mantendo meu noivo quieto para que ele não subisse pelas paredes.”
Ele sorriu. “Ele estará bem, assim que a pompa e a circunstância acabar.”
Passos ecoavam pela igreja, e o pastor apareceu no altar. “Olá, Reverendo Wallace,” Charles o chamou. “Ainda estamos esperando por algumas pessoas chegarem aqui.”
“Tudo bem. Ainda não são seis e meia. Mas, se eu pudesse falar com o senhor e a senhorita Bennet enquanto esperamos, poderíamos verificar alguns detalhes. Ah, e você não disse que a dama de honra vai cantar? Precisamos decidir onde ela ficará. ”
Jane voltou-se para William. “Você poderia ir chamar a Lizzy, por favor? Ela está lá fora, esperando pela nossa família.”
Ele assentiu e saiu pela nave da igreja. Ele preferiu não pensar no porque de seus pés se moverem em direção à porta com tanta pressa.
O sol do fim de tarde espalhava um brilho morno pelas construções, mas ele sentiu um arrepio no ar enquanto o pôr-do-sol se aproximava. Ele olhou atentamente, procurando pelo quarteirão, mas não viu sinal de Elizabeth. Talvez ela tivesse entrado na igreja por outra entrada lateral.
Enquanto ele se virou para voltar para dentro, ele viu uma mulher se aproximando pela entrada de carros. Algo sobre ela parecia familiar—talvez ela fosse uma das irmãs Bennet. Conforme ela se aproximava, ele a olhava com um interesse crescente. O corte do vestido dela era conservador, mas a forma curvelínea que ele revelava roubou-lhe o fôlego.
Os olhos dele viajaram lentamente pelo corpo dela de baixo para cima, começando com um par de pernas maravilhosamente torneadas que se destacavam ainda mais pelas sandálias de salto-alto na mesma cor do vestido. Ele então bebeu da visão da suave curva do quadril dela, e da cintura fina. Conforme ela se aproximava dele, ele detectou um sinal sutil do recheio viçoso do decote dela. A pele sensível na base da garganta dela parecia convidar um beijo dele.
Ela parou diretamente na frente dele, e embora os olhos dela estivessem escondidos pelos óculos de sol, ela parecia olhar para ele fixamente. A delicada compleição dela, e o pequeno e reto nariz dela pareciam-lhe familiar, mas foi o cabelo dela que chamou a atenção dele. Ele ardia de vontade de enterrar seus dedos naquela massa de cachos escuros, para sentir-lhes a textura. E então ele poderia beijá-la, para saber se os lábios dela eram tão macios quanto pareciam ser.
A súbita explosão de desejo, provocada por uma estranha, chocou-o. Eu acho que realmente faz muito tempo que eu não…
Ele quase que engasgou quando a mulher tirou os óculos de sol. Um par de brilhantes olhos verdes o olhava com curiosidade.
“Olá, William,” Elizabeth disse num tom neutro.
Ele olhava para ela sem piscar, de boca aberta.
“William?” ela repetiu, levantando levemente a voz.
A boca dele se fechou rapidamente, ele engoliu seco. “Desculpe,” ele disse, mortificado de ouvir a própria voz tremer. “Eu não … você … bem, hã, seu … seu cabelo está diferente.” Ele odiava soar como um idiota. Infelizmente, ele estava fazendo um ótimo trabalho até agora.
Ela acenou gravemente, os cantos da boca dela torciam-se. “Sim, está.”
“E você … você não está … quero dizer … você parece …” Ele respirou profundamente e lutou para se recompor. “Quantos anos você tem?”
Ela ergueu uma sobrancelha. “Tenho 26. Por quê você está perguntando isso?”
“Quando eu a vi no aeroporto, eu pensei … quer dizer, você parecia menos…” Menos madura, menos sexy, menos extraordinariamente magnífica? A primeira frase completa que ele conseguiu pensar, ele falou rapidamente. “Você parece mais velha do que hoje de manhã.”
Uma leve careta começou a surgir no rosto dela. Ela abriu a boca, fechou-a novamente, parou, e então falou, finalmente. “Por que você não está dentro da igreja?” ela perguntou.
“Ah—sim. Fui mandado aqui fora para encontrá-la. Precisam de você lá dentro. Quando eu saí pela primeira vez, você não estava aqui.”
“Fui até o carro de Jane para pegar meu casaco. Está esfriando um pouco.”
Ele considerou desculpar-se pelas observações que ele havia feito e ela havia ouvido mais cedo, mas ele estava agitado demais para desculpar-se devidamente. Ao invés disso, ele abriu a pesada porta de carvalho da igreja para ela.
“Vamos?” ele perguntou, movendo-a para seguir à frente dele. Quando ela passou pela porta, o contorno do formoso traseiro dela fez com que ele quase gemesse em voz alta. Lembre-se, você está voltando para a igreja. Controle-se!
Elizabeth olhou disfarçadamente para William, que estudava as janelas de vidro
manchadas. O maravilhoso terno azul marinho dele, feito sob medida, acentuava
os ombros largos dele. Como antes, ela lutava contra uma vontade
incontrolável de ajeitar uma mecha de cabelo na testa dele que teimava em
sair do lugar, e de entranhar seus dedos no cabelo ondulado e grosso dele. Ele
era a epítome do homem “alto, moreno e lindo,” sem dúvida nenhuma.
Ela podia resumir William Darcy sucintamente. Aparência: 10. Personalidade: zero, ou até mesmo uma numeração negativa. Ela havia chegado na igreja disposta a dar a ele uma outra chance, por causa de Jane. Mas depois de menos de dois minutos de contato, o comportamento dele já começou a repelí-la. Primeiro, ele ficou secando ela rudemente enquanto ela se aproximava da igreja, até que ela praticamente o forçou a falar. E então ele a fez sentir-se como uma bruxa velha. Sufocar as respostas tortas que pululavam em seu cérebro fizeram-na quase que entrar num estado de apoplexia.
“Liz!” Uma voz de mulher ecoou na igreja. Apenas uma pessoa a chamava por esse apelido. Com um largo sorriso, ela voltou-se para ver a mulher alta e chique que caminhava a passos largos pela nave da igreja.
“Char! Fimalmente você está aqui!” Elizabeth correu até Charlotte Lucas, abraçando-a fortemente. “Jane e eu sentimos sua falta essa tarde. Se você tivesse chegado mais cedo, você poderia ter ido fazer compras conosco.”
“E seria forçada a brincar de Erro Fashion? Nem pensar. Você está fantástica, por falar nisso. Assumo que Jane fez seu cabelo?”
“Obviamente. Você sabe que eu jamais conseguiria me arrumar assim. Você está ótima—acho que está mais alta do que a última vez que a vi.” Charlotte, cujos saltos altos adicionavam-na altura, sempre fez com que Elizabeth se sentisse como uma Lilliputiana.
William ficou por perto, obviamente ouvindo toda a conversa delas. Elizabeth virou-se para ele, determinada a manter a promessa de ser educada com ele. “Charlotte, este é William Darcy, padrinho de Charles. William, esta é minha amiga Charlotte Lucas; ela é a outra dama de Jane.”
Charlotte e William deram-se as mãos. “Sigo sua carreira desde o colegial. De fato, uma das minhas amigas costumava tocar sua versão do número 2 de Rachmaninoff dia e noite.” Charlotte olhou para Elizabeth provocando-a, e esta olhou fixamente para a amiga.
“Sinto muito por isso.” William disse solenemente, mas Elizabeth viu uma ponta de travessura nos olhos dele. “Como você conheceu Jane?”
“Através de Liz. Éramos colegas de quarto no colegial em Interlochen.”
“Você estudou na Academia de Arte Interlochen?” William perguntou a Elizabeth, levantando suas sobrancelhas.
“Sim, isso mesmo.” Ela entendeu o porque da supresa dele. Estudar num Colégio Interno normalmente queria dizer que a família tivesse dinheiro. Os pais de Elizabeth não tiveram dinheiro para pagar a matrícula do colegial em artes em Michigan. Ela contava com ajuda financeira, com uma ajuda dos avós.
“Liz era uma ótima cantora e dançarina. Eu estudava artes visuais.”
William assentiu. “Eles têm um bom programa na Interlochen. Minha fundação ajuda a escola, e eu faço uma visita a eles todo verão durante o Acampamento de Artes.”
“Eu sei,” Elizabeth disse. William olhou para ela atentamente, e parecia que ele ia fazer uma pergunta, mas ao invés disso Charlotte continuou a estória dela.
“Depois da Interlochen, fui para a Universidade da Califórnia, UC Berkeley. Jane já estava lá, então Liz nos apresentou. Jane e eu dividimos um apartamento por alguns anos.”
“Char se recusa a morar com alguém que não tenha como último nome Bennet,” Elizabeth provocou. “Balança um pouco a vida amorosa dela.”
Charlotte sorriu com arrogância. “Minha vida amorosa está ótima, muito obrigada. Eu só não os convido para morar comigo. Quem quer um homem no pé 24 horas por dia mesmo?”
William sorriu. “Você ainda está em Berkeley?”
“Sim. Estou terminando meu Doutorado em história da arte. Espero defender minha dissertação no começo do ano que vem.”
William assentiu, claramente impressionado. “Você planeja dar aulas?”
“Provavelmente. Ou talvez procurar por uma bolsa de estudos para um pós-Doutorado em algum lugar.”
“Qual é o tópico da sua dissertação?”
“Pintoras do século XVII na Holanda.”
“Como Judith Leyster e Maria van Oosterwyck?”
“Sim, isso mesmo,” Charlotte respondeu, os olhos dela arregalando-se. “Você já ouviu falar delas?”
“Há alguns anos atrás minha avó e eu fomos numa exibição dos trabalhos dos pintores Holandeses desse período,” William disse. “Alguns dos ancestrais de minha avó eram holandeses, e ela se interessou pelas pinturas. É uma pena que o trabalho de Leyster tenha sido atribuído a pintores homens por tanto tempo.”
“Sem mencionar que ela e outras mulheres foram excluídas da associação dos pintores. Típico, porém. Os meninos sempre querem manter as meninas fora do clube deles.”
A única resposta de William foi um meio sorriso.
“Desculpe. Sei que vocês, rapazes, detestam esse tipo de comentário.” Charlotte olhou rapidamente para Elizabeth, sorrindo. “Mas eu estou tão imersa na vida dessas mulheres, que às vezes me deixo levar.”
“Eu compreendo—seu trabalho é importante para você.” Desta vez, o sorriso de William foi genuíno. “Por falar nisso, eu posso recomendar algumas fundações de arte que podem se interessar em financiar sua pesquisa. A fundação da minha família só ajuda projetos relacionados à música, mas eu tenho contatos em outras organizações.”
Elizabeth olhava fixamente para ele, em choque. Onde foi parar o William ‘Eu Sou Superior’ Darcy, e quem é este homem charmoso com esse sorriso matador? Havia algo intenso sobre o jeito que o rosto dele, quase sempre solene, se transformava quando ele sorria, e por um momento o traiçoeiro coração dela ansiava por ver aquele sorriso direcionado à ela. Pára com isso, Lizzy. Um lindo sorriso não apaga todas as coisas horrendas que ele disse.
“Bem, obrigada! Eu agradeço por qualquer coisa que você puder fazer por mim.” Charlotte tocou o braço de William. “Eu queria estar no lugar da Liz, considerando o homem charmoso que é o padrinho de Charles.”
William ficou levemente corado e olhou de relance em direção à Elizabeth. Ela entendeu o significado do olhar dele—sem dúvida alguma, ele estava querendo a mesma coisa que Charlotte. Ela não gostou da ponta de ciúmes que repentinamente começou a atormentá-la.
Ela ficou ali, de pé, sentindo-se enormemente supérflua enquanto William e Charlotte discutiam fundações de arte em Nova York. O cabelo escuro de Charlotte estava bem curto, o estilo espetado realçando o rosto atraente dela. Ela estava usando um sério, mas elegante terno feminino cinza, e como acessório uma gargantilha e brincos nada usuais, feitos de prata e ônix. Ela sempre parecia encontrar jóias únicas, que davam a ela um estilo próprio. Não era de se admirar que William parecesse atraído por ela—ela parecia ser, e agia, como uma pessoa do “nível social” dele.
“Então, Liz, como está indo a escola? O semestre já está quase acabado?”
A pergunta de Charlotte tirou Elizabeth de seu infeliz devaneio. “Quase. Na verdade, estava difícil conseguir uma folga agora—muitas provas e trabalhos.”
“Você está fazendo faculdade em Nova York?” William perguntou.
Elizabeth sufocou sua resposta raivosa e instintiva. Oh, é claro. Uma cantora num subemprego não podia ter formação acadêmica em nada, a não ser talvez a de dançar em mesas.
Charlotte riu. “Não é bem isso. Ela está dando aulas enquanto termina o Mestrado dela. Jane disse que você tem uma entrevista no Conservatório Pacific na segunda-feira?”
“Sim, para o uma vaga de professora, para começar no outono,” Elizabeth respondeu. “Eu vou dar aulas de teatro musical e técnicas de performance, mais aulas de preparação vocal. Você sabe, berrar músicas de show, coisas desse tipo.”
William retraiu-se e abriu a boca para falar, mas outra voz soou estridente por detrás deles.
“Ah, você deve ser a Srta. Elizabeth Bennet! É um grande prazer conhecê-la finalmente, depois de tudo que ouvi falar de você.”
Elizabeth, Charlotte, e William viraram-se para ver quem estava falando. Um homem de altura mediana e corpo magro olhou de volta para eles através de um grande par de óculos, um sorriso que queria agradar à todos enrugando sua rosada face. Ele estava perdendo os cabelos, os que sobravam estavam amarrados num rabo-de-cavalo.
“Permitam-me que eu me apresente,” o homem disse. “Sou William Collins.”
“Claro, estávamos esperando por você. E você está certo—sou Elizabeth Bennet.”
Collins aceitou a mão estendida dela. A palma da mão dele estava suada, fazendo com que Elizabeth secretamente enxugasse a mão dela no próprio casaco depois do aperto de mãos. “Eu devo me desculpar pelo atraso para o ensaio do casamento,” ele disse. “Eu realmente espero não ter causado nenhuma inconveniência. E se causei, mais uma vez, por favor me permita desculpar-me, Srta. Bennet.”
“Não foi nada,” Elizabeth disse, sorrindo frente à formalidade dele. “E me chame de Elizabeth. Eu presumo que tenho que lhe agradecê-lo pela minha entrevista no conservatório.”
“O prazer foi meu, Elizabeth. Espero que você me chame de Bill—todos os meus amigos me chamam assim, e já posso dizer que seremos amigos. De fato, eu estava falando sobre você com Charles outro dia, revendo as diversas coisas que Jane me disse, que me convenceram de que somos incomumente compatíveis. Adoraria discutí-las com você durante o jantar.”
Meio esquisito? A Jane não estava brincando! Elizabeth lutou contra a vontade de rir quando apresentou-o à Charlotte e William.
Bill olhou com esforço para William, os olhos dele arregalados, a voz dele calma. “Oh, meu Deus, Sr. Darcy, não posso dizer o quanto isso é emocionante. Eu toco teclado, e conhecê-lo—é uma honra imensa.” Elizabeth estava esperando que ele começasse a chorar copiosamente.
William murmurou seu obrigado hesitantemente. Ele mantinha seu corpo ereto e duro, distante de Bill, como se ele temesse que o homem tentasse abraçá-lo ou beijá-lo. Elizabeth teve que morder a língua para não rir. Ela olhou para Charlotte, que cobria a boca com a mão, e tossiu levemente. Elizabeth olhou de volta para William e se surpreendeu quando os olhos dele encontraram os dela, comunicando-lhes um brilho particular de divertimento.
Elizabeth havia se perdido dos contínuos fios de pensamentos que fluíam dos lábios de Bill. “Como eu estava dizendo, Sr. Darcy, minha empregadora, a estimada Reitora do Conservatório Pacific, Dra. Catherine de Bourgh, o tem em altíssima estima. Claro que o senhor a conhece—todas as pessoas importantes do mundo da música conhecem a Dra. de Bourgh. Elizabeth, quando você a conhecer, em sua entrevista na segunda-feira, você deve mencionar que seu cunhado é um grande amigo do Sr. Darcy.”
“Eu prefiro conseguir o emprego baseada nas minhas qualificações,” Elizabeth disse sarcasticamente. Ela continuou num tom mais gentil. “Mas obrigada pelo conselho.”
“E eu estou tão emocionado de poder acompanhar seu solo no casamento amanhã,” Bill disse efusivo. “Jane me contou sobre a linda voz que você possui, e eu estou simplesmente ansioso para ouví-la cantando. Não tenho palavras para expressar o quão honrado fiquei quando Jane me pediu para auxiliá-la, especialmente dado o alto conceito de músicos que comparecerão ao casamento.” Bill acenou na direção de William. “Eu fiquei surpreso, Sr. Darcy, que o senhor não tivesse sido chamado para fazer as honras.”
“Oh, não, eu nunca acompanho cantoras,” William respondeu num tom arrogante.
“Claro que não,” Elizabeth fez sua observação, alegremente. “William é um artista solo. Ele prefere trabalhar sozinho.”
Ela encolheu-se quase que imediatamente. Este era precisamente o tipo de comentário malicioso que ela tinha prometido evitar. Mesmo assim, ela não havia dito nada que não fosse verdade, e ele merecia coisa muito pior. Mas ela ficou surpresa de ver o que parecia ser desconforto, e talvez até mesmo um pouquinho de tristeza, nos olhos dele. Ela achava difícil de acreditar que o comentário dela havia perfurado o ego impermeável dele. Era mais provável que a mente dela estivesse pensando demais.
“O que você vai cantar no casamento, Liz?”
“ ‘A Ave Maria.’ É a favorita de Jane.”
William pareceu surpreso. “Eu não achei que você cantasse o repertório clássico.”
Claro, porque eu não sou um músico de verdade. “A maior parte do que canto é parte do repertório de teatro e jazz, mas eu tive algum treinamento clássico,” ela respondeu no tom mais neutro que conseguiu. “E, de qualquer maneira, a ‘Ave Maria’ é bem fácil—quero dizer, comparada à uma ária de Handel ou algo do gênero.”
“Tenho certeza de que você é uma cantora de primeira, em qualquer área que você escolha,” Bill sorria radiante para ela. “Ah, e aqui está o Jim! Aqui, Jim! Venha conhecer a Elizabeth Bennet e os amigos dela!”
Jim Pennington, o outro padrinho de Charles, juntou-se ao grupo. A longa introdução de Bill revelou que Jim era o baixista do Golden Gate Jazz, o conjunto no qual Charles e Bill tocavam. Elizabeth estava para perguntá-lo sobre o grupo quando o Reverendo Wallace reapareceu com Charles e Jane.
“O pai da noiva está aqui?” O Rev. Wallace perguntou.
Jane acenou negativamente. “Meus pais devem ter ficado presos no trânsito. Eu não quero fazê-lo esperar, então vamos seguir. Passo para o meu pai o que ele precisar saber quando ele chegar aqui.”
“Eu ficaria honrado de fazer as vezes de seu estimado pai até que ele chegue,” Bill disse, estendendo seu braço com um galanteio exagerado.
William pensou que o ensaio não fosse terminar nunca. Aquele enfadonho e cansativo Collins continuava perguntando coisas absurdas, aparentemente esquecido de que ele não ia realmente entregar a noiva no altar. Quanto a William, ele parecia não ter controle sobre a direção de seu olhar—os olhos dele raramente saiam de Elizabeth.
Mas ele estava mais preocupado com a direção de seus pensamentos. Na imaginação dele, ele abandonava seu lugar ao lado de Charles e se aproximava de Elizabeth. Ela o recebia com um sorriso caloroso, e ele a puxava para os seus braços, sentindo o calor e a maciez do corpo dela contra o dele. Ela levantava seus olhos brilhantes para os dele, e ele abaixava a cabeça, experimentando os lábios macios dela. Enquanto a boca dela se abria em resposta, ele estreitava os braços em volta dela e aprofundava o beijo. Os braços dela estavam enroscados no pescoço dele, e ela pressionava o corpo dela contra o dele, gemendo. Fogo era o que se espalhava pelo corpo dele, e a mão dele deslizou pelo torso dela até que ele alcançou…
Eu tenho que parar com isso! Eu
deveria estar ensaiando para um casamento, e não fantasiando sobre a
dama-de-honra. Ele
se sentiu mortificado ao sentir essa agitação que, se ele
permitisse que continuasse, o colocaria numa situação nada normal.
É exatamente disso que eu preciso—estar de pé, na frente de um
monte de pessoas numa igreja, esperando que niguém note o volume nas
minhas calças.
Ele expirou profundamente. Rangendo os dentes, ele forçou os olhos para longe de Elizabeth.
O ensaio continuou, lentamente, arrastando-se. Assim que terminou, uma voz estridente ecoou pela igreja. “Jane! Jane! Estamos aqui!” Uma mulher de meia-idade, com cabelos loiros e curtos vinha arquejando pela nave, o eco dos passos barulhentos dela enchendo a igreja.
“Meus pais estão aqui,” Jane explicou ao Rev. Wallace. “Esta é minha mãe, Frances Bennet.”
“Eu sinto muito por chegarmos atrasados, Jane querida,” a Sra. Bennet ofegou, envolvendo a filha num abraço.
“Tudo bem, mamãe. O tráfego estava ruim?”
“O quê? Oh, não, o tráfego estava normal. Nós nos atrasamos mesmo. Lydia estava fora, visitando alguns amigos, e a queridinha apenas perdeu a noção do tempo. E, claro, não podíamos sair sem ela. Jane, meu amor, você está linda! Ela não está, Charles querido?”
“Ela está, com certeza,” Charles respondeu, sorrindo para Jane.
Frances Bennet chegou perto de Charles, que a abraçou, cumprindo sua obrigação. “Seus pais estão aqui?” Os olhos dela moveram-se rapidamente pela igreja.
“Eles vão nos encontrar no hotel. Eles pensaram—”
A Sra. Bennet interrompeu. “Lizzy! Você está aqui, finalmente em casa!”
“Olá, mamãe.” Elizabeth foi até sua mãe e a abraçou.
“Você está ótima, querida. Você pode ser tão atraente quando se esforça para isso… Claro que você não é nem metade do que Jane é, mas você é uma garota muito bonita quando quer ser.”
Elizabeth ficou vermelha e mordeu o lábio. William sentiu uma pontada de compaixão. Ele também sofria com a injustiça da comparação. Jane era inegavelmente linda, mas faltava algo nela: a energia, o brilho de Elizabeth. Sem falar do corpo dela, os instintos mais primais dele adicionaram. Ele estava tentando conceber uma resposta que elogiaria Elizabeth sem parecer bobo, quando Charles falou.
“Todas as suas filhas são lindas, Sra. Bennet. E eu tenho tanta sorte que uma delas vá passar o resto da vida dela comigo.” Ele beijou Jane gentilmente.
“Oh, Charles, você é um amor. Não é, Andrew?”
Andrew Bennet, que havia acabado de passar pela porta e entrado na igreja, caminhou até a esposa, ficando do lado dela. “Eu não ouvi o que você disse, Francie, mas baseado em anos de experiência, eu sei que devo concordar com você.”
Os lábios de William crisparam-se. Ele pôde notar de onde Elizabeth herdara o sendo de humor dela.
Os olhos do Sr. Bennet pousaram sob Elizabeth, e imediatamente ele foi ao encontro dela, e a abraçou. “É maravilhoso ver você, Lizzy.”
“Oi, papai,” Elizabeth sussurrou, grudando-se ao pai. Lágrimas brilhavam nos olhos de Elizabeth, e a afeição do Sr. Bennet pela filha estava claramente escrita no rosto dele. William sentiu uma pontinha de inveja.
O Sr. Bennet soltou Elizabeth e se aproximou de Charles e Jane, beijando Jane no rosto e dando a mão para Charles. Os Bennets então cumprimentaram Charlotte calorosamente, e depois Jane apresentou-os para os outros convidados presentes. William e o Sr. Bennet simplesmente apertaram as mãos um do outro de maneira cordial; contudo, o cumprimento da Sra. Bennet foi muito mais efusivo.
“Oh, Sr. Darcy, eu estava tão ansiosa, esperando por esse momento! Ter uma celebridade como o senhor no casamento da minha filhinha! E o marido dela ter em seu melhor amigo uma pessoa tão importante, proeminente! Meus amigos estão ansiosos por vê-lo no casamento amanhã—eu contei a cada um deles que você estaria lá! E você vai tocar na recepção, não vai? Você tem que tocar! Eu prometi a todos os meus amigos que eles o ouviriam tocar.”
William ficou desconcertado pela insistência exaustiva dela. “Sinto muito, Sra. Bennet,” ele disse formalmente, “mas Charles e eu já havíamos discutido isso, e eu não vou tocar. Eu raramente toco em festas particulares.”
A Sra. Bennet abriu a boca, os olhos dela arregalados e surpresos, mas Charles entrou no meio da conversa antes que ela conseguisse falar. “Sra. Bennet, pedimos a William para ser nosso padrinho, não para nos entreter. Eu quero que ele aproveite o dia. A sra. não acha melhor assim?”
Antes que a Sra. Bennet pudesse responder, Charles levou-a rapidamente para longe de William e terminou as apresentações.
“Embora o Sr. Darcy não toque amanhã,” Bill Collins fez a observação quando apresentado à Sra. Bennet, “eu considero uma grande honra acompanhar Elizabeth no casamento.”
“O senhor é muito gentil, Sr. Collins,” a Sra. Bennet respondeu num tom ácido. “Estou feliz porque ao menos alguns dos amigos de Charles que são músicos não se consideram importantes demais para tocar no casamento de minha filha.” Ela olhou para William e fungou, o nariz dela no ar.
William chacoalhou a cabeça. Relutantemente, ele se ofereceu para tocar durante o jantar, mas Charles não quis—ele não queria que William se sentisse como se tivesse a obrigação de tocar no seu jantar. Depois do jantar, para garantir o entretenimento, uma banda havia sido contratada. De qualquer maneira, essa mulher absurda não tinha nada que ficar questionando a decisão deles.
“Mãe, onde estão a Kitty e a Lydia?” Elizabeth perguntou.
“Onde estão essas meninas? Eu devia colocar um sino no pescoço de cada uma delas! Andrew, você sabe onde estão as meninas?”
“A última vez que as vi, elas estavam no estacionamento, olhando um carro esportivo. Uma BMW vermelha.”
“A Z3!” Elizabeth exclamou. “Sim, eu a vi também. Lindo carro!”
William sorriu. “É o meu carro.”
“Seu?” Elizabeth perguntou.
“Sim—eu o aluguei para o fim-de-semana.”
“Não sei porque, mas nunca imaginei você atrás do volante de um carro esportivo,” Elizabeth observou.
Charles riu. “Isso é só para te provar que você não conhece William. Ele é o perfeito demônio da velocidade.”
“Charles, pare de exagerar.” William não queria que Elizabeth pensasse que ele era descuidado ou irresponsável.
“Aposto que deve ser divertido de dirigir esse carro,” Elizabeth disse.
William ouviu uma nota de desejo na voz dela. “E é. Você está convidada a tentar dirigí-lo neste fim-de-semana, se você souber dirigir um carro com transmissão manual.”
A surpresa era evidente no rosto dela. “Sim, eu sei. Oh, eu adoraria fazer isso! Obrigada!” Por um delicioso momento, os olhos dela sorriram para os de William, e ele sentiu um calor que se espalhou pelo seu corpo.
“Jane, precisamos ir para o hotel,” Charles disse num tom agitado. “Meus pais devem estar chegando a qualquer momento, e eles ficarão chateados se chegarem e nós não estivermos lá para recebê-los.”
“Oh, céus, sim,” Jane concordou. “Lizzy, você está pronta para ir?”
“Não posso ir agora. Bill e eu ainda temos que ensaiar a ‘Ave Maria.’ ”
“Mas eu preciso ir,” Jane disse. “Bill, você pode dar uma carona para Lizzy até o hotel?”
“Eu queria poder,” Bill respondeu, os olhos como o de um cachorro basset hound, “mas Jim me trouxe até aqui, e o baixo dele está no banco de trás do carro, e o porta-malas está cheio de livros de música, amplificadores, cabos, e outros equipamentos. Oh, querida, por favor aceite minhas mais profundas desculpas.”
“Eu esperaria por você, Liz,” Charlotte disse, “mas eu tenho que ir à loja para pegar meu vestido, e eles fecham em meia hora.”
Jane chacoalhava a cabeça, mordendo o lábio, e então a expressão dela desanuviou-se. “Charles, posso ir com você e deixar meu carro para a Lizzy?”
“Não vai dar. Eu vim com o William, e o carro dele é de dois lugares.”
“Charles, porque você no vai com a Jane?” William sugeriu. “Eu posso esperar e dar uma carona a Elizabeth.” Ele preferiu não pensar muito sobre o impulso que o levou a dar essa sugestão.
“Parece que temos uma solução,” Charles disse, pegando no braço de Jane e a levando para fora da igreja. “Vamos todos sair, para que Lizzy e Bill possam ter um pouco de sossego. Todos sabem que o jantar é no terraço do Ritz, certo?”
Lentamente, o santuário ficou vazio, até que não restasse ninguém além de Lizzy, Bill, e William. Jim Pennington tinha ido até seu carro para pegar seu telefone celular e ligar para a esposa. Bill tirou uma partitura de uma pasta e a colocou no paino com um galanteio. Então, lançando um olhar presunçoso para William, ele se sentou ao piano e tocou algumas escalas bem rápidas.
É como se ele estivesse me desafiando para um duelo. William conteve o riso. Talvez agora eu deva tirá-lo do banco com um empurrão e tocar as mesmas escalas, só que mais rapidamente.
Elizabeth ficou do lado do piano. Ela deu um sinal a Bill, que começou a tocar a introdução da ‘Ave Maria.’
O coração de William bateu descompassadamente quando ela começou a cantar. A voz dela era doce e clara, e ela investia na triste melodia com uma emoção muito profunda. O rosto dela, transfixado pela alegria, era a coisa mais linda que ele já tinha visto na vida. Era como se ela fosse uma das Sereias da Mitologia Grega, cujas magníficas vozes faziam ou com que os marinheiros pulassem de seus navios em direção à ilha das Sereias, ou com que eles batessem os navios nas rochas. O resultado, nos dois casos, era desastroso.
É isso que ela significa para mim? Desastre? Eu não me lembro de ter reagido dessa maneira a mulher alguma. Mas somos de mundos diferentes—muito diferente, acho eu. Ele imaginou a Sra. Bennet espalhando seus amigos sem classe pela elegante casa de Nova York e insistindo que ele tocasse para eles, como uma foca treinada. Não, isso nunca daria certo.
Centenas de memórias, doces e amargas ao mesmo tempo, lhe invadiram a mente, da mãe dele cantando em casa. Ele amava ouví-la, e até mesmo agora ele podia ouví-la claramente.
A música terminou cedo demais, e os acordes finais do acompanhamento ecoaram pela igreja. Finalmente ele conseguia se mexer, livre do encanto que ela havia jogado nele. Ainda atordoado, ele caminhou lentamente em direção ao piano, onde Elizabeth e Bill discutiam o tempo de uma parte da música.
“Você está pronta para ir?” William perguntou, claramente ignorando Bill.
“Oh, mas você não gostaria de passar a música mais uma ou duas vezes?” Bill perguntou a Elizabeth, um olhar esperançoso nos olhos. “Quero me certificar de que estou tocando perfeitamente para você.”
Ela acenou com a cabeça negativamente. “Não, acho que está tudo ótimo. Muito obrigada—seu trabalho está muito bom.”
Bill olhou presunçosamente para William, e então respondeu para Elizabeth. “Foi um prazer. Vejo-a no jantar. Eu realmente sinto muito por não poder levá-la até lá; espero que você compreenda e possa me perdoar.”
“Sem problemas,” William respondeu serenamente, enviando-lhe um olhar presunçoso único. “Já resolvi isso.” En garde.
“Eu amo esse carro,” Elizabeth suspirou.
“Você é uma fanática por carros esporte?” William perguntou, intrigado.
“Acho que sim, pelo menos em teoria. Na verdade eu nunca andei em um, mas eu sempre imaginei.” Os olhos dela brilhavam, um olhar de puro deleite na face dela enquanto ela olhava para o carro.
Ele sorriu. “Isso está para mudar. Devo deixar a capota abaixada?”
“Sim, por favor!”
“Tem certeza? Seu cabelo pode despentear.”
“Eu não me importo. Quero a experiência completa.”
Ele estava encantado com o entusiasmo descarado dela. Ocorreu a ele que a maioria das mulheres que ele conhecia eram muito estafadas para ficarem excitadas com alguma coisa. Os olhos dele a acariciaram calorosamente. “Nesse caso…” Ele estendeu as chaves do carro para ela.
Os olhos dela se arregalaram. “Você estava falando sério sobre me deixar dirigir?”
“Por quê não? Falando diretamente, suponho que meu contrato de aluguel não permite outro motorista, então, por favor, não acabe com o carro.”
Ela olhou fixamente para as chaves por um momento, franzindo o rosto. Finalmente, ela olhou para ele. “So tem uma coisa.”
“Sim?”
“Eu já dirigi um carro desse tipo, mas foi há muito tempo. E esse tem seis marchas; eu nunca dirigi um desses. Então, talvez seja melhor eu deixar você dirigir.”
“Está perdendo a coragem?” Ele levantou uma sobrancelha. Ela respondeu ao desafio dele com um sorriso petulante e tomou as chaves da mão dele. Ele riu discretamente, e abriu a porta do motorista para ela.
William sentia-se como se estivesse comemorando algo. Na igreja, ele estava se comportando estranhamente, de forma incoerente, e agora ele estava flertando com ela—e ela parecia estar flertando com ele também. O interesse deles em comum pelos carros esporte havia permitido a ele relaxar. Era assim na profissão dele também. Contanto que ele pudesse falar sobre música, ele era confiante e articulado, mas em outros tipos de conversa ele achava que era mais difícil de falar.
Quando Elizabeth se sentou no banco do motorista, o vestido dela subiu, revelando várias polegadas das coxas macias dela. Os olhos dele se fixaram naquela visão provocativa, e a imaginação dele começou a processar tudo rapidamente. Ele se viu puxando-a para fora do carro e sentando-a no capô. Ele a puxava em seus braços, depositando beijos leves e quentes pelo pescoço dela. Ela o envolvia com suas pernas longas e sedosas, pela cintura dele, pressionando a maciez dela contra a rigidez dele que aumentava enquanto ela deixava as mãos dela caírem sobre o cinto dele e…
Diabos!
Apenas por sua força de vontade ele havia tentado evitar esse problema na igreja, mas dessa vez a imaginação dele levou-o à beira do desastre. Ele caminhou de forma estranha dando a volta no carro e deslizou cautelosamente para o assento do passageiro.
Elizabeth assistiu a William enquanto ele sentava ao lado dela. Ela estava intrigada pelo sorridente entusiasta de carros esporte que flertava com ela, que havia substituído o homem sinistro que estava do lado de Charles no ensaio do casamento. Quando William olhou para ela rapidamente, ela tentou sorrir para ele, como se oferecendo a paz. Ao invés de retornar o sorriso, ele olhou para outro lado, fixando seus olhos à frente dele. A postura dele era estranhamente rígida, os braços dele cruzados sobre o colo, e ela pôde ver os músculos da mandíbula dele se mexendo. Ah, não. O Sr. Hyde voltou. Ainda bem que o hotel não está muito longe.
Ela deu a partida no carro, sorrindo para si mesma quando o poderoso motor roncou para a vida. O carro deu umas guinadas enquanto ela experimentava a transmissão ainda desconhecida para ela, mas logo eles estavam se movendo calmamente pela rua. Ela olhou-o rapidamente, notando que ele parecia mais relaxado agora. E qual era o problema dele antes? Ele estava nervoso daquele jeito porque estava preocupado com como eu dirigia? A idéia foi dele, pelo amor de Deus!
“Um carro com transmissão como esse em São Francisco pode ser bem assustador,” ela fez a observação depois de alguns minutos de um silêncio perturbador.
Ele assentiu. “Você tem que planejar com antecedência algumas das subidas. Você está indo bem, para alguém que não dirige carros assim há algum tempo.”
“Obrigada. É um carro muito bom. A que velocidade você já conseguiu andar com ele?”
“Até agora, não muito rápido. Estou planejando levá-lo para dar um passeio no domingo de manhã antes do meu vôo, para ver do que ele é capaz.” Ele parou, depois voltou a falar, suavemente. “Seu solo estava lindo.”
“Obrigada. É uma música tão maravilhosa, é quase que impossível cantá-la mal.”
“Não concordo com isso. Além do mais, você cantou com tanta alegria! Estou surpreso por você ter se conformado com as músicas da Broadway, quando obviamente você tem talento para uma carreira em ópera.”
“Me conformado?” ela repetiu, enviando-lhe um olhar de descrença.
“Sim. Nem todas as cantoras são boas o suficiente para ópera, e aquelas que não são, não tem outra chance a não ser a Broadway ou a música popular. Mas, no seu caso, isso não seria necessário. Com o seu talento, você poderia ter feito muito mais.”
Não ranja os dentes até que virem tocos. “Obrigada,” ela disse, mastigando cada uma das sílabas.
“Minha mãe era cantora de ópera,” ele disse, a voz dele com o calor da nostalgia. “Na Itália. É onde eu nasci. Mas quando ela, meu pai e eu viemos para os Estados Unidos, ela teve que desistir. Ela nunca deixou de sentir falta daquela vida.”
Elizabeth quase comemorou quando ela
dirigia pelo largo e branco pórtico do Ritz-Carlton, onde um rapaz que
trabalhava no estacionamento esperava. Ela checou a aparência dela
rapidamente em seu espelhinho e assustou-se. “Meu cabelo! Mas você me
avisou.” O trabalho de Jane transformou-se numa massa disforme, avassalada pelo
vento.
William tinha uma expressão intensa, que ela não conseguia identificar. “Para mim, você está ótima,” ele murmurou numa voz profunda.
Ela deu de ombros. “Bem, obrigada por ter me deixado dirigir o carro. É mais uma fantasia que se tornou realidade para mim.”
Ele continuou olhando para ela, e ela pôde ver os olhos dele se acenderem com as palavras dela. Pela terceira vez naquele dia, ela tinha a sensação de que os olhos dele pudessem ver através dela, profundamente, adivinhando seus segredos mais bem guardados. Talvez ele esteja querendo me deixar nervosa. Mas eu não vou dar esse gostinho a ele!
“Vou ao toalete para tentar consertar meu cabelo. Vejo você no jantar.”
Quando ela virou-se de costas e entrou no hotel, ela pensou sentir o olhar penetrante dele a queimando. Ela se voltou para olhá-lo; e realmente ele estava ainda lá, parado, onde ela havia o deixado, os olhos dele fixos nela.
William assistiu-a indo embora, os quadris dela balançando graciosamente, e finalmente ele soltou o gemido que havia sufocado quando ela ficou na frente dele para entrar na igreja antes do ensaio. Eu não acredito que ela falou sobre fantasias que se tornam realidade. Espero que ela não tenha conseguido adivinhar qual o tipo de fantasia que venho tendo o dia todo.
Honestamente falando, Elizabeth Bennet fascinou-o. Ele admirava o talento dela, e ela era mais educada e entendida do que ele esperava. A inteligência dela e a rápida capacidade dela de expressão o encantavam. E quanto aos atributos físicos dela… Ele balançou a cabeça, um sorriso pesaroso no rosto.
A viagem deles juntos no carro tinha ido bem, uma vez que sua situação embaraçosa acalmara-se. Ele até mesmo elogiou o talento dela, esperando suavizar as observações espinhosas que ela havia ouvido naquela tarde no jardim. A lembrança do fim-de-semana seria muito mais agradável, agora que a opinião dela sobre ele havia melhorado.
E depois?
Ele não sabia. Ele só sabia que estava ansioso pelo resto da noite. Cantarolando a “Ave Maria” bem baixinho, ele guardou no bolso o papel do estacionamento e entrou no hotel, um vigor nada característico em seus passos.

Copyright © 2007 da autora.